14 de maio de 2025

Medicamentos com receita retida: o que muda no controle e na gestão

Medicamentos com receita retida: o que muda no controle e na gestão

A recente atualização da Anvisa, que amplia a lista de medicamentos sujeitos à retenção de receita médica, impacta diretamente a rotina das farmácias.

Além dos antibióticos, agora substâncias como os análogos de GLP-1, utilizados no tratamento de obesidade e diabetes, também passam a ser controladas com regras mais rigorosas.

Mais do que uma mudança pontual, essa nova regulamentação exige uma revisão completa dos processos internos: do atendimento no balcão à gestão de estoque e documentação.


O que mudou, na prática?

Assim como ocorre com os antibióticos, os medicamentos incluídos nessa nova exigência seguem o seguinte modelo:

●      A receita médica deve ter duas vias, sendo uma delas retida pela farmácia;

●      Os dados da venda precisam ser registrados no sistema de controle da Anvisa;

●      A validade da receita e os critérios para dispensação passam a ser fiscalizados com maior rigor.


Principais medicamentos afetados

A lista completa está disponível na atualização da Anvisa, mas os produtos de maior impacto no varejo incluem:

●      Semaglutida, liraglutida e outros análogos de GLP-1;

●      Medicamentos voltados ao controle de peso e glicemia;

●      Substâncias com potencial de uso indiscriminado ou que envolvam alto risco de automedicação.

É fundamental acompanhar os comunicados da Anvisa e manter contato constante com o seu distribuidor para ter acesso à lista atualizada e às exigências específicas de cada substância.


Impactos na rotina da farmácia

Essa mudança exige ajustes imediatos na operação. Veja os principais pontos de atenção.

1. Atendimento no balcão

No balcão, redobre a atenção na verificação da receita médica, observando sua validade, dados obrigatórios e assinatura do profissional de saúde. O cliente deve ser orientado sobre o motivo da retenção e os cuidados com o uso do medicamento.

Além disso, é indispensável registrar corretamente todas as informações exigidas pela norma, garantindo conformidade e segurança na dispensação.


2. Gestão de estoque e armazenamento

No estoque, o controle precisa ser ainda mais rigoroso. Medicamentos sujeitos à retenção exigem rastreabilidade completa, desde a entrada até a dispensação.

Também é importante manter esses produtos armazenados em locais apropriados, com temperatura controlada, segurança e identificação adequada - separados, sempre que possível, por categoria de controle.


3. Treinamento da equipe

A equipe deve estar bem orientada e atualizada sobre os novos protocolos. Isso inclui treinamentos técnicos, simulações de atendimento e instruções claras sobre como agir diante de receitas irregulares ou ausentes.

A venda sem a documentação exigida pode gerar sanções legais à farmácia. Por isso, é fundamental adotar uma postura segura, embasada na legislação vigente.


Conformidade e confiança caminham juntas

Atuar com responsabilidade no controle de medicamentos com receita retida reforça o compromisso da farmácia com o uso racional de medicamentos e a segurança do paciente. Além de cumprir a legislação, essa postura fortalece a imagem do estabelecimento como um espaço de saúde confiável e ético.

Ao mesmo tempo, o relacionamento com o cliente exige clareza e empatia. Muitos consumidores ainda não conhecem a nova regra e podem se surpreender com a exigência de retenção. Cabe à equipe esclarecer que a medida é uma determinação da Anvisa, voltada à segurança no uso de medicamentos que têm impacto direto no organismo e exigem controle rigoroso.

O farmacêutico precisa, portanto, estar atento às mudanças regulatórias e contar com parceiros de distribuição confiáveis, que ofereçam suporte, informação atualizada e agilidade na reposição de produtos.


Foto: iStock.com/LittleIvan

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